Morre Herbert Bartz, um dos três pioneiros na implantação do sistema de plantio direto no Brasil.

Herbert Bartz – Fonte: Globo Rural

É com grande pesar que comunicamos que o produtor rural Herbert Bartz, faleceu aos 83 anos na cidade de Rolândia, no Paraná, em decorrência de complicações de uma pneumonia.

Herbert Bartz nasceu em Rio do Sul, em Santa Catarina, no dia 14 de fevereiro de 1937, mas mudou-se ainda criança para a Alemanha.

Em 1960 retornou com a família ao Brasil e passou a residir na Fazenda Rhenânia, trabalhando com plantio de milho e arroz. Esta experiência fez com ele notasse que o sistema convencional de produção não atendia as necessidades do sustento da família.

Isso porque naquela localidade, as chuvas tropicais irregulares, após longo período de estiagem, destruíam as lavouras e provocavam erosão do solo, tornando os custos de produção impraticáveis.

Já em 1972, Bartz comprou uma máquina semeadora não agressiva, iniciando no Brasil um novo método que passou a ser chamado de plantio direto.

Bartz foi então reconhecido internacionalmente como o precursor do plantio direto na palha, que é aquele em que não há necessidade de arar a revolver a terra, evitando assim o desgaste provocado pela erosão do solo.

Esta técnica consiste no mínimo ou na ausência de revolvimento do solo, manutenção dos restos culturais da safra anterior e aplicação da chamada rotação de culturas.

O resultado do seu pioneirismo não poderia ter sido mais positivo, pois além do aumento da produtividade da soja, gerou economia, reduzindo o uso de maquinários.

Após esses fatos, outros produtores perceberam que esta técnica poupava o solo, que permanecia mais vivo, reconhecendo que a adoção da técnica era eficaz tanto do ponto de vista econômico, quanto ambiental.

Considerado por muitos como um revolucionário do setor, seus métodos inovaram a agricultura nacional e internacional deixando um importante legado para o agronegócio.

Preocupado com o meio ambiente, e atuando ativamente para implantar tecnologias agrícolas sustentáveis, Bartz foi um homem a frente do seu tempo, dedicando sua vida para melhorar as técnicas de plantio, pensando sempre na importância da alimentação para a sociedade.

Defendeu arduamente o plantio direto justamente por se tratar de um sistema menos agressivo ao meio ambiente, e abriu os horizontes para o mundo sobre a possibilidade de produzir alimentos de qualidade em larga escala.

Dentre as inúmeras contribuições do produtor rural, destaca-se a publicação: “Plantio Direto: A tecnologia que revolucionou a agricultura brasileira”, lançada pela Itaipu Binacional.

Sua atuação no setor agrícola foi pautada pelo idealismo e dedicação ímpares, tendo recebido prêmios importantes como o de “Personagem Soja Brasil”, em 2019, conferido a ele pelo Projeto Soja Brasil, considerado um dos maiores projetos de comunicação rural do mundo.

O sonho de trabalhar com produção de alimentos surgiu da trágica experiencia de falta alimentos que ele vivenciou quando morava na Alemanha, durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Autoridades do setor lamentaram a morte de Bartz nas redes sociais, ressaltando o quanto a sua personalidade afável e pioneirismo contribuíram para o desenvolvimento da agricultura brasileira e paraense.

Além do importante legado, Bartz deixa a esposa Luíza, a filha Marie e o filho Johann Bartz.